Sunday, May 11, 2008

Triste Bahia

Bahia, triste Bahia
Que de sofrer nunca pára
Pois quando escapa da queda
Leva um coice na cara
De ACM se livrou
Só porque ele morreu
Mas tudo o que ele deixou
Se refaz, sobreviveu
Não pelo valor do entulho
Que o povo quis sepultar
Mas só porque Jaques Wagner
Tem medo de governar
Quem até pra ACM
Era estrume de poleiro
Hoje na corte de Wagner
É sagrado cavaleiro
A renovação política
Que ele pregou pra Bahia
Foi só mais uma mentira
Traição e covardia
Dava pra desconfiar
Qual ia ser seu papel
Quando autoritariamente
Se aliou a Gedel
Como um rolo compressor
De quarenta toneladas
Fez do sólido PT
Simples geléia, mais nada
Foi botando uns bagulhos
No espaço que sobrou
Com suas siglas de aluguel
E tudo mais que encontrou
Quanto custa um apoio desses
Para o povo da Bahia
Cargos, poder, influência
Isso Wagner não dizia
Sem falar que também buscam
Preservar a impunidade
Apoiando esse governo
De fachada e vaidade
Dona Fátima Mendonça
Primeira dama espoleta
Afirmou que todos eles
Não passam de picaretas
É de gente sem vergonha
Esse adesismo safado
E é de quem paga também
Por cada apoio comprado
A onda agora é o jaquismo
É a nova epidemia
E é pior que o carlismo
Que triste sina, Bahia.
Rufino Ariosto, cidadão baiano.

Monday, April 21, 2008

Violência nossa de cada dia

A Bíblia relata provavelmente o primeiro ato de violência praticado pela humanidade, ocorrido quando Caim matou seu irmão Abel. De lá para cá, observa-se em todos os tempos a escalada da violência. Em todas as sociedades antigas e modernas, a utilização da força foi e tem sido o pressuposto indispensável para a subjugação de pessoas ou povos com a intenção de subtrair-lhes algo, ou, simplesmente promover a implantação de idéias e costumes.

Atualmente viu-se o segurança do filho do Presidente Lula ser assassinado em uma tentativa de assalto, enquanto isso, o país amedrontado, clamava por providências. Posteriormente, a Câmara dos Deputados em polvorosa, tentava a todo custo aprovar o estatuto do desarmamento, no qual propunha entre outras alternativas, dificultar o acesso da população às armas de fogo e o conseqüente desarmamento da sociedade. Em um rasgo de inteligência, o Ministério da Educação, introduziu no ENEM, o seguinte tema de redação para que os estudantes pudessem expressar sua opinião a respeito do assunto. A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?

A violência pode ser desencadeada por vários motivos que vão desde a questão cultural até a questão social. Esta última, tem sido apontada por alguns estudiosos como a principal responsável por este câncer da sociedade moderna. Em relação à questão cultural, a forma como os filhos são educados pode ser uma grande incentivadora da violência, isto porque, entregando uma arma de brinquedo a uma criança, ou possibilitando o convívio diário com a agressividade nos lares, inconscientemente os pais estão transmitindo aos filhos, o embrião cancerígeno de uma mentalidade carregada de violência e a idéia de que a criança pode qualquer coisa, inclusive matar.

A infeliz cultura machista sob a qual essa sociedade ainda vive submergida, tem sido uma das maiores promotoras de atos vergonhosos. Basta lembrar que as mulheres têm sido as maiores vitimas de espancamento por parte de covardes “machões” e que apesar de o Brasil não ter ganhado medalha de ouro em algumas modalidades esportivas nos jogos pan-americanos do Rio de Janeiro, pelo menos em violência contra a mulher, o Brasil é recordista.

A impunidade é talvez a maior incentivadora desta peste que tem assolado a nação brasileira, para constatar este fato, é preciso voltar a atenção aos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo ou até mesmo Salvador, e fazer um ligeiro esforço mental no sentido de se lembrar quantas pessoas já foram assassinadas nesta cidade e quantas foram a julgamento e pagaram por seus crimes. Fazendo este ensaio, chega-se à triste conclusão de que no Brasil, a impunidade anda de mãos dadas com a selvageria.

A questão social tem sido o maior celeiro de discípulos da violência, na medida em que a cada dia a riqueza se concentra nas mãos de uma minoria e a grande maioria da população é empurrada para os becos escuros da miséria, do abandono e da falta de perspectivas. Os conflitos no campo nada mais são do que o reflexo do sistema feudal de distribuição de terras implantado no Brasil, quando da sua colonização, e que ainda insiste em permanecer. Já nos centros urbanos, devido ao inchaço das cidades promovido pelo chamado êxodo rural, os conflitos têm se agravado devido à falta de emprego e a constante busca por um teto para morar.

Até que as autoridades constituídas nos níveis municipais, estaduais e federais não conseguirem encontrar alternativas praticas para a solução das desigualdades sociais, certamente será lido nas paginas dos jornais e nos noticiários da TV a escalada assustadora da violência. Entretanto, esta chaga humana não se limita apenas à violência física. Há outras formas muitas vezes piores do que o assassinato ou a agressão corporal. Pode-se agredir alguém ao atacá-lo moralmente, ao desrespeitar alguém por sua opção religiosa, sexual ou ideológica. Agride-se alguém, ao subtrair-lhe os direitos e negar-lhe oportunidades de ascensão educacional, profissional, financeira, etc.

Por fim, este texto, tem o objetivo de reforçar as idéias anteriormente transmitidas, para que se possa criar uma sociedade mais fraterna, justa e sem agressões, sejam elas quais forem. Se os leitores observarem, os parágrafos anteriores foram iniciados sempre com a letra “a” para que possam se lembrar de uma palavrinha de apenas quatro letras a que tanta falta tem feito nos corações das pessoas. O amor certamente é o remédio para qualquer tipo de violência, sem ele não há perspectiva de melhora para a sociedade. Para finalizar, faz-se necessário relembrar de um ensinamento proferido no Sermão da Montanha por Jesus Cristo: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (S. Mateus 5:44). Se esses ensinamentos forem seguidos, não haverá espaço para a violência.

Reivan Franca

PRETO, POBRE E CEGO

A história de Ray Charles, poderia ser igual à de milhões de pobres espalhados pelo mundo. Preto, pobre e cego desde os sete anos de idade, filho de uma lavadeira negra e vivendo em uma comunidade miserável dos EUA poderia se esperar tudo de ruim para o futuro de Ray, menos que se tornasse um ícone da música.
Quando pequeno, durante uma brincadeira inocente de crianças, presenciou a morte do único irmão, afogado num tanque onde a mãe lavava as roupas. O acidente causou-lhe um trauma emocional, que teve que carregar durante a maior parte de sua vida e que acabou por conduzi-lo ao vício de heroína. Todos esses fatos e muitos outros podem ser conferidos no filme Ray, que retrata a vida do cantor.
Embora tenha passado por tantas agruras e privações, a vida de Ray pode ser um exemplo para todos. Um exemplo de luta e determinação para se alcançar um objetivo. Ele não permitiu que sua história pobre e sofrida lhe desanimasse e mesmo cego e vítima de preconceito racial, foi à luta e conquistou o sucesso.
Seu estilo eclético de fazer música influenciou a mente dos Norte-Americanos, e deu inicio à quebra do preconceito racial instalado no estado da Geórgia. Ao recusar-se a fazer um show em um teatro onde os negros não podiam entrar, foi processado e proibido de cantar neste estado. Anos depois em 1979, retornou à Geórgia para ser homenageado.
Mostrou que todas as aspirações são possíveis de serem alcançadas, é necessário ter disciplina, força de vontade e principalmente confiança. Seu testemunho de vida pode servir de inspiração para os miseráveis do continente africano, os explorados da América Latina, os famintos do nordeste brasileiro e os desempregados de Salvador.
Embora não fosse brasileiro, ele não desistiu nunca. Venceu o preconceito, rompeu com o vicio, ganhou dinheiro e obteve fama. Sua obstinação foi seu combustível, o seu talento o passa-porte para uma vida melhor.
Ray foi um cidadão americano que se tornou cidadão do mundo por meio de sua música. Porém, percebe-se que existem outros Rays espalhados pelo mundo. Outros personagens que com firmeza e perseverança conseguiram entrar para a história como grandes homens, além de galgar a escada social por meio do talento.
No Brasil não é diferente. No esporte pode ser citado Pelé, Ronaldo o fenômeno e tantos outros; nos negócios José Alencar e Constantino de Oliveira o dono da GOL; na música embora de um gosto duvidoso, tem os pagodeiros; na política tem o exemplo maior que é LULA, seguido por Marina Silva, Olívio Dutra etc.
Tanto Ray Charles quanto as personalidades citadas acima viveram situações difíceis, passaram por privações, romperam com seus medos e traumas, lutaram incansavelmente, conquistaram seus sonhos. São vencedores! Todos indistintamente podem conseguir, basta para isso querer, correr atrás e não desistir jamais.

Reivan Franca

Saturday, April 08, 2006

caixa dois

O ex-deputado Roberto Jéferson, disse em um depoimento na CPI dos correios, que um candidato para se eleger a deputado, gasta mais de 1 milhão de reais. Segundo o ex-deputado, nenhum candidato declara esse gasto, levando a crer, que até para o legislativo, existem gastos não declarados, ou seja, existe caixa dois.

Os partidos de oposição e principalmente PSDB e PFL, querem a qualquer custo inviabilizar a permanência do PT enquanto partido, bem como, tornar inviável uma possível reeleição do Presidente Lula com o único e exclusivo objetivo de voltar ao poder. Para isto, qualquer denuncia é motivo para o arrefecimento da crise política, e para o pedido de impeachment.

Entretanto, já se viu que a horrenda prática do caixa 2 é uma tradição da política brasileira, sendo o PT, apenas um aluno descuidado de tal prática. Isto porque, além de Roberto Jéferson ter denunciado a existência de caixa 2 também na campanha de FHC, o ex-senador José Eduardo Andrade Vieira, ex-dono e diretor do banco Bamerindus, afirmou na quarta-feira 19/10/2005, que houve esquema de caixa 2 para financiar as campanhas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.

Além disso, Cláudio Mourão, ex-tesoureiro do ex-presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo, confirmou a existência de caixa dois durante a campanha eleitoral de 1998 para o governo de Minas Gerais. Segundo ele, dos 20 milhões de reais gastos, apenas 8 milhões fora declarado à justiça eleitoral. Ele revelou que efetuou parte dos pagamentos via “recursos não-contabilizados”, obtidos por meio de empréstimos do empresário Marcos Valério.

Outro cacique do PSDB que já assumiu caixa 2 foi o Senador Arthur Virgilio, ele disse que em 1986 utilizou de caixa dois em uma campanha eleitoral no Amazonas. Mas o caixa 2 não se restringe apenas ao PT e ao PSDB, além de um deputado do PMDB, o deputado do PFL Roberto Brant, foi acusado de receber dinheiro do valérioduto e foi absolvido no Plenário da Câmara.

São estas figurinhas da política brasileira que estão indo com tudo em cima do PT e do governo Lula. São eles que estão esbravejando em todos os meios de comunicação pedindo punição e até impeachment do Presidente. São eles que querem a CPI investigando apenas as irregularidades cometidas a partir de 2002, deixando de lado a corrupção cometida no processo de privatização, na compra de voto para aprovar a reeleição, da qual FHC foi o primeiro beneficiado.

CPIzza

Associar o que vem ocorrendo em Brasília, ao principal prato da culinária italiana, é, sem dúvida alguma, um imenso mau gosto e uma tremenda falta de respeito ao povo italiano. Entretanto, virou moda chamar de pizza todo o resultado das CPI’S instaladas no Brasil, e não serei eu, o único a fugir dessa regra.

Por causa do artigo passado, recebi um puxão de orelhas de um leitor, que apesar de ter gostado, disse, em outras palavras, que o texto precisava tomar uma injeção de auto-estima. Infelizmente, com as constantes congestões e diarréias que a pizzaria brasileira vem provocando, não dá para ser otimista.

Não dá para ser otimista quando alguns membros do PT, partido que sempre defendeu a bandeira da ética, da moral e da defesa da coisa pública, se deixam seduzir pelo poder e lançam na lama uma sigla com história de vinte e cinco anos de luta, em busca de um país mais honesto e justo. O poder pelo poder não serve.

Não consigo sentir otimismo, quando determinados partidos que hoje estão na oposição, criadores da corrupção na sua forma mais vil e escravizante, aparecem na TV e dizem que quer ver o governo Lula sangrar até a morte. Estes partidos, sempre estiveram no poder, sempre corromperam e foram corrompidos, apoiaram a ditadura militar, desviou dinheiro da Bahiatursa.

Estes partidos que transferiram o patrimônio nacional com a mentira das privatizações, agora estão espumando de raiva, porque há quase quatro anos foram forçados a largar o osso que vinham roendo há séculos. Estão vendo a possibilidade de ficar mais 4 anos sem as fartas tetas públicas. São cachorros doidos e famintos, apesar de estarem com os estômagos cheios.

A CPIzza ou CPI, até agora serviu para mostrar a nossa verdadeira identidade. Se o Congresso Nacional é de fato a representação do povo brasileiro, temos a pior cara possível. Nossa mente é clientelista, nossos corações são corruptos, nossos sentimentos hipócritas, nossas palavras mentirosas, nossas ações oportunistas, os discursos demagogos, em fim, somo mais feios do que a besta do apocalipse.

A pizzaria tupiniquim mostrou apenas que os interesses dos pizzaiolos estão acima dos interesses nacionais. Os representantes do povo punem e inocentam pessoas que cometeram o mesmo crime. Quando é do seu interesse, inocentam os culpados, quando não é, punem os inocentes. O voto que deveria ser secreto somente para o povo, serve injustamente para esconder os defensores das maracutaias. Estou farto de pizza podre!

Meus raros leitores, apesar do esforço não pude escrever pensamentos positivos e motivadores, que pudessem nos fazer sentir que o futuro será melhor. Neste momento, reverbera em minha mente o trecho de uma música de Cazuza que diz: “O futuro é duvidoso (...)”. Espero que todos desfrutem de uma boa pizza a lá Brasília.

Povo brasileiro, corrupto por vocação!

Quando os portugueses resolveram colonizar o Brasil, trouxeram para cá a escória da sociedade portuguesa. Foi justamente essa gente, que deu início ao tão desigual povo brasileiro. Povo este, que criou o conceito de “jeitinho”, assegurando-lhe o mau hábito de querer tirar proveito em tudo, seguindo os preceitos da Lei de Gerson.

O escritor bíblico Miquéias, ao escrever sobre o assunto disse: “As suas mãos fazem diligentemente o mal; assim demanda o príncipe, o juiz julga pela recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles tecem o mal” (MQ 7:3). Alguém já disse: “O jeitinho brasileiro é a ante-sala da corrupção”. São segundo esses princípios que está assentada a moral da maioria dos dirigentes das instituições públicas e privadas deste país.

Corrupção tem ente outros, os seguintes significados: Decomposição, putrefação, depravação e devassidão. Tais conceitos estão impregnados em todas as áreas da vida humana. Quando alguém “pula a cerca”, quando vereadores recebem propina para “virar a casaca” ou votar incondicionalmente nas propostas do prefeito, são práticas incluídas no rol da corrupção.

Enganam-se os que defendem a punição como única arma de extirpação deste mal. Embora a impunidade incentive a corrupção, ela não é a sua principal causadora. A principal causa está basicamente na má educação do individuo e no seu desvirtuamento. O sujeito educado sem princípios morais não tem parâmetros, consequentemente, tudo será permitido para a satisfação de suas necessidades. A boa educação deve começar em casa com a família, e passar por uma escola que tenha um sistema educacional voltado para a formação de cidadãos, e não somente para a alfabetização de pessoas.

Cristóvão Buarque escreveu que “As pessoas são pobres porque não tiveram educação, e não tiveram educação porque são pobres”, pode-se parafrasear este pensamento dizendo que as pessoas são corruptas porque não tiveram a educação moral e cívica necessária. Daí, a necessidade de investir na mudança dos conceitos apreendidos, na valorização do respeito aos bens alheios, e na conscientização de que o dinheiro e as instituições públicas são bens pertencentes a todos, e não somente a determinada classe de indivíduos.

Somente o governo federal, possui entre 20 a 30 mil cargos públicos de livre nomeação (cargos que são preenchidos sem concurso, e servem para apadrinhamento político), a quantidade existente nos governos estaduais e municipais deve ser assustadora. Esta é a grande brecha existente na administração pública que permite o acesso de larápios ao erário público.

Com a crise vivida pelo governo Lula, surge a grande chance de o país moralizar a administração pública, a começar pela extinção desses cargos. Em seguida, deve-se fiscalizar e punir as pessoas que acumulam ilicitamente vários cargos públicos; os políticos que roubam e recebem “mensalão”; os juizes que vendem sentenças; o servidor público relapso; o empresário sonegador de impostos e fraudador do imposto de renda e da previdência, o sacerdote que desvia o dinheiro das ofertas dos fiéis, etc.

Thursday, June 09, 2005

A Política Brasileira e o Feudalismo

De acordo com (Raymundo Campos, 1992) e os ensinamentos dos professores de História, na Europa, o período medieval durou do século V ao XV e foi dividido em dois grandes momentos: a Alta Idade Média, do século V ao X, e a Baixa Idade Média, do século XI ao XV. Este período também chamado de Idade das Trevas, foi marcado pelo modo de produção feudal, que trazia em seu bojo praticas como o servilismo em substituição à escravidão, e cerimônias como a Suserania e a Vassalagem. Como se sabe, o Suserano era o senhor de um feudo, de que outros dependiam, e era representado pela figura do Senhor feudal. Por outro lado, o Vassalo, era um indivíduo dependente de um senhor feudal, ao qual estava ligado por juramento de fé e submissão.

O Brasil foi fundado neste modo de produção, e apesar de passados quinhentos anos de seu descobrimento, podemos perceber nas instituições públicas as velhas práticas feudais. Basta para isto, tomarmos o legislativo brasileiro nas suas três dimensões: O Federal, o Estadual e o Municipal onde o que se observa é a famosa prática do “Toma lá dá cá”, ou seja, para se manter a governabilidade, o executivo precisa distribuir ao legislativo, cargos que vão de Ministérios até Secretarias estaduais e municipais. Além é claro, de muitas vezes ter que comprar votos para que se aprove projetos importantes para a sociedade.

Tanto no legislativo federal quanto no estadual e municipal, temos observado que os interesses particulares e de certos grupos vêm se sobressaindo em detrimento dos interesses coletivos de toda uma sociedade que de dois em dois anos é enganada com promessas de melhores condições de vida, trabalho e saúde. Mais uma vez, a única saída que se contempla é a formação de uma consciência crítica e de um espírito irrequieto por parte da população brasileira, no sentido de extirparmos das esferas de poder, estes políticos feudais, e com isto, promover o renascimento de uma sociedade justa e livre deste feudalismo político, econômico e social.

LULA ENCURRALADO

LULA ENCURRALADO

Nas últimas semanas o governo Lula tem enfrentado o que se costuma chamar de “inferno astral” devido a denúncias de corrupção nos Correios, no Instituto de Resseguros do Brasil – IRB e de acusações de compra de votos de deputados, por meio do denominado “Mensalão”.
Para o PT, que em seus vinte e cinco anos de história sempre foi visto como o baluarte da moral, os últimos acontecimentos provocarão no mínimo, sérios arranhões em sua reputação, caso as denúncias do Deputado Roberto Jéferson sejam verdadeiras. Entretanto, a crise política ora instalada, pode ser mais bem compreendida se observada de ângulos diferentes.
Em primeiro lugar, com a eleição de 2002, o PT não conseguiu eleger o número de deputados suficientes para que se formasse a “ditadura” petista que oferecesse condições de governar sem ter que efetuar alianças com outros. Com isso, devem-se seguir os caminhos da democracia, e mesmo a contra gosto, efetuar as famigeradas alianças políticas para se adquirir a tão sonhada governabilidade.
Em troca dessa governabilidade, infelizmente o PT teve que em alguns casos “vender a alma ao diabo” e em outros casos, fazer algumas concessões. Ao fazer alianças com o PMDB, que sempre foi um partido de duas faces, e com o PTB, que tinha na figura do seu presidente, o deputado Roberto Jéferson, o mesmo que ao lado de ACM foram até às últimas conseqüências para manter Fernando Collor no poder, não se poderia esperar nada de bom, senão, envolvimento em escândalo de corrupção.
Por outro lado, as tais alianças políticas têm se mostrado tão frágeis, que mais parecem casamento por conveniência, ou seja, aquele tipo de casamento de aparência. Isto porque, enquanto o PMDB abocanha Ministérios e cargos públicos por um lado, por outro lado, o mesmo PMDB informa em seus programas eleitorais, que em 2006, terá candidato próprio à Presidência. Fica claro que a balburdia instalada no Planalto, têm um alvo maior, as eleições de 2006.
Do outro lado do picadeiro, surge a oposição composta por PFL do cacique ACM, e PSDB de tantos outros caciques como FHC, José Serra e outros, tão perniciosos quanto o pefelista. Para começar, ACM só não foi cassado na última vez que se meteu em encrenca, porque Sarney arquivou a CPI da grampolândia. No caso da violação do painel eletrônico do Senado, ele teve que renunciar para não perder seus direitos políticos. O PSDB, que almeja retornar ao Planalto no ano que vem, esteve envolvido em várias denúncias de corrupção durante a era FHC, e muitas CPI’S foram sufocadas pelo rolo compressor do governo, inclusive, aquela que iria apurar a compra de deputados para a aprovação da reforma da Previdência. Agora, esses partidos e suas respectivas “figurinhas” esbravejam pedindo CPI.
O PT errou ao resistir à abertura da CPI. Por não ter opção, errou ao fazer alianças com políticos que sempre estiveram ao lado do poder e de mãos dadas com a corrupção. A única coisa a se fazer agora, é esperar para ver no que vai dar a CPI, refazer a base aliada com o conseqüente expurgo dos corruptos e continuar prendendo os ladrões do dinheiro público por meio das investigações da Controladoria Geral da União e da Policia Federal. Além, é claro, de continuar trabalhando para mudar o Brasil.

Reivan Franca
Reivan1972@ig.com.br