Monday, April 21, 2008

Violência nossa de cada dia

A Bíblia relata provavelmente o primeiro ato de violência praticado pela humanidade, ocorrido quando Caim matou seu irmão Abel. De lá para cá, observa-se em todos os tempos a escalada da violência. Em todas as sociedades antigas e modernas, a utilização da força foi e tem sido o pressuposto indispensável para a subjugação de pessoas ou povos com a intenção de subtrair-lhes algo, ou, simplesmente promover a implantação de idéias e costumes.

Atualmente viu-se o segurança do filho do Presidente Lula ser assassinado em uma tentativa de assalto, enquanto isso, o país amedrontado, clamava por providências. Posteriormente, a Câmara dos Deputados em polvorosa, tentava a todo custo aprovar o estatuto do desarmamento, no qual propunha entre outras alternativas, dificultar o acesso da população às armas de fogo e o conseqüente desarmamento da sociedade. Em um rasgo de inteligência, o Ministério da Educação, introduziu no ENEM, o seguinte tema de redação para que os estudantes pudessem expressar sua opinião a respeito do assunto. A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?

A violência pode ser desencadeada por vários motivos que vão desde a questão cultural até a questão social. Esta última, tem sido apontada por alguns estudiosos como a principal responsável por este câncer da sociedade moderna. Em relação à questão cultural, a forma como os filhos são educados pode ser uma grande incentivadora da violência, isto porque, entregando uma arma de brinquedo a uma criança, ou possibilitando o convívio diário com a agressividade nos lares, inconscientemente os pais estão transmitindo aos filhos, o embrião cancerígeno de uma mentalidade carregada de violência e a idéia de que a criança pode qualquer coisa, inclusive matar.

A infeliz cultura machista sob a qual essa sociedade ainda vive submergida, tem sido uma das maiores promotoras de atos vergonhosos. Basta lembrar que as mulheres têm sido as maiores vitimas de espancamento por parte de covardes “machões” e que apesar de o Brasil não ter ganhado medalha de ouro em algumas modalidades esportivas nos jogos pan-americanos do Rio de Janeiro, pelo menos em violência contra a mulher, o Brasil é recordista.

A impunidade é talvez a maior incentivadora desta peste que tem assolado a nação brasileira, para constatar este fato, é preciso voltar a atenção aos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo ou até mesmo Salvador, e fazer um ligeiro esforço mental no sentido de se lembrar quantas pessoas já foram assassinadas nesta cidade e quantas foram a julgamento e pagaram por seus crimes. Fazendo este ensaio, chega-se à triste conclusão de que no Brasil, a impunidade anda de mãos dadas com a selvageria.

A questão social tem sido o maior celeiro de discípulos da violência, na medida em que a cada dia a riqueza se concentra nas mãos de uma minoria e a grande maioria da população é empurrada para os becos escuros da miséria, do abandono e da falta de perspectivas. Os conflitos no campo nada mais são do que o reflexo do sistema feudal de distribuição de terras implantado no Brasil, quando da sua colonização, e que ainda insiste em permanecer. Já nos centros urbanos, devido ao inchaço das cidades promovido pelo chamado êxodo rural, os conflitos têm se agravado devido à falta de emprego e a constante busca por um teto para morar.

Até que as autoridades constituídas nos níveis municipais, estaduais e federais não conseguirem encontrar alternativas praticas para a solução das desigualdades sociais, certamente será lido nas paginas dos jornais e nos noticiários da TV a escalada assustadora da violência. Entretanto, esta chaga humana não se limita apenas à violência física. Há outras formas muitas vezes piores do que o assassinato ou a agressão corporal. Pode-se agredir alguém ao atacá-lo moralmente, ao desrespeitar alguém por sua opção religiosa, sexual ou ideológica. Agride-se alguém, ao subtrair-lhe os direitos e negar-lhe oportunidades de ascensão educacional, profissional, financeira, etc.

Por fim, este texto, tem o objetivo de reforçar as idéias anteriormente transmitidas, para que se possa criar uma sociedade mais fraterna, justa e sem agressões, sejam elas quais forem. Se os leitores observarem, os parágrafos anteriores foram iniciados sempre com a letra “a” para que possam se lembrar de uma palavrinha de apenas quatro letras a que tanta falta tem feito nos corações das pessoas. O amor certamente é o remédio para qualquer tipo de violência, sem ele não há perspectiva de melhora para a sociedade. Para finalizar, faz-se necessário relembrar de um ensinamento proferido no Sermão da Montanha por Jesus Cristo: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (S. Mateus 5:44). Se esses ensinamentos forem seguidos, não haverá espaço para a violência.

Reivan Franca

PRETO, POBRE E CEGO

A história de Ray Charles, poderia ser igual à de milhões de pobres espalhados pelo mundo. Preto, pobre e cego desde os sete anos de idade, filho de uma lavadeira negra e vivendo em uma comunidade miserável dos EUA poderia se esperar tudo de ruim para o futuro de Ray, menos que se tornasse um ícone da música.
Quando pequeno, durante uma brincadeira inocente de crianças, presenciou a morte do único irmão, afogado num tanque onde a mãe lavava as roupas. O acidente causou-lhe um trauma emocional, que teve que carregar durante a maior parte de sua vida e que acabou por conduzi-lo ao vício de heroína. Todos esses fatos e muitos outros podem ser conferidos no filme Ray, que retrata a vida do cantor.
Embora tenha passado por tantas agruras e privações, a vida de Ray pode ser um exemplo para todos. Um exemplo de luta e determinação para se alcançar um objetivo. Ele não permitiu que sua história pobre e sofrida lhe desanimasse e mesmo cego e vítima de preconceito racial, foi à luta e conquistou o sucesso.
Seu estilo eclético de fazer música influenciou a mente dos Norte-Americanos, e deu inicio à quebra do preconceito racial instalado no estado da Geórgia. Ao recusar-se a fazer um show em um teatro onde os negros não podiam entrar, foi processado e proibido de cantar neste estado. Anos depois em 1979, retornou à Geórgia para ser homenageado.
Mostrou que todas as aspirações são possíveis de serem alcançadas, é necessário ter disciplina, força de vontade e principalmente confiança. Seu testemunho de vida pode servir de inspiração para os miseráveis do continente africano, os explorados da América Latina, os famintos do nordeste brasileiro e os desempregados de Salvador.
Embora não fosse brasileiro, ele não desistiu nunca. Venceu o preconceito, rompeu com o vicio, ganhou dinheiro e obteve fama. Sua obstinação foi seu combustível, o seu talento o passa-porte para uma vida melhor.
Ray foi um cidadão americano que se tornou cidadão do mundo por meio de sua música. Porém, percebe-se que existem outros Rays espalhados pelo mundo. Outros personagens que com firmeza e perseverança conseguiram entrar para a história como grandes homens, além de galgar a escada social por meio do talento.
No Brasil não é diferente. No esporte pode ser citado Pelé, Ronaldo o fenômeno e tantos outros; nos negócios José Alencar e Constantino de Oliveira o dono da GOL; na música embora de um gosto duvidoso, tem os pagodeiros; na política tem o exemplo maior que é LULA, seguido por Marina Silva, Olívio Dutra etc.
Tanto Ray Charles quanto as personalidades citadas acima viveram situações difíceis, passaram por privações, romperam com seus medos e traumas, lutaram incansavelmente, conquistaram seus sonhos. São vencedores! Todos indistintamente podem conseguir, basta para isso querer, correr atrás e não desistir jamais.

Reivan Franca